blue is the warmest color; abe's diary

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blue is the warmest color; abe's diary

Mensagem por Abe Satoru em Qua Jun 03, 2015 8:41 pm


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Re: blue is the warmest color; abe's diary

Mensagem por Abe Satoru em Qua Jun 10, 2015 8:47 pm

first part
introduction to wicked
é estranho como um fato cria um efeito dominó que não acaba mais. tudo começou com um namoro inconsequente de colegial e um casamento precoce, com uma paixão fervorosa que terminou como desgosto contínuo, no entanto, os prazeres carnais não foram deixados de lado e assim o fruto do pecado nasceu, nascimento simultâneo ao abandono paterno. uma criação amorosa e terna que aquecia o fruto que, até certo ponto, sonhava, mas tudo que é bom nesse mundo se vai como folhas ao vento, e a dona desse amor partiu desse mundo para um melhor, deixando para trás uma pequena partícula azul no mundo.

tudo parece bonito narrado com palavras bonitas, parece melódico e ao mesmo tempo melancólico, mas a realidade não é assim, ela é dura e frívola e levar um tapa dela doí mais que tudo. acho que é óbvio eu ser o tal pontinho azul abandonado, e eu tenho um nome como todas as pessoas: abe satoru.

ironicamente satoru significa “iluminado” e abe, sobrenome da minha família, “grupo agradável”. eu realmente devo ser uma desgraça. com sorte as pessoas sentem pena de mim num primeiro momento, iludidas com o jovem órfã abandonado, só que a verdade nunca consegue se esconder.

talvez um dia eu tenha sido o filho ideal ou qualquer coisa do gênero, talvez tenha sido imprudente de minha parte culpar a realidade e o destino por toda merda que me aconteceu. estou pouco me fodendo. quem sou agora é de dar nojo, o que eu tenho de mim é algo podre e ninguém sabe disso melhor do que eu mesmo.

depois da morte da única luz guia eu me escondi entre papeis e grafites, entre árvores e falsos amores, obsessões sem fim as quais até hoje me consumem. o primeiro vicio foi os amores platônicos, foram ruivas, chinesas e morenas, loiras, mexicanas e albinas, a cada mês eu tinha uma nova falsa paixão e novas falsas esperanças, com sorte eu me desvinculei desse caminho, mas devo admitir que às vezes tenho recaídas propositais.

o segundo vicio foi arte: pinturas, fotografias, esculturas, teatro, esse ainda continua sendo o meio maior vício, bem... depois do terceiro é claro. o terceiro surgiu inesperadamente como uma solução para todos os meus problemas, na verdade o único: a lucidez. era um pó,  parecia purpurina de fada e agora é a única coisa mágica na minha vida.obviamente esse pó evoluiu para pedra, beque, pílulas, seringas, papéis enrolados e garrafas de álcool. quando eu me olho no espelho depois de usar uma dessas belezinhas eu não me reconheço e sendo sincero: essa é a melhor parte.

há outra coisa que eu não considero um vício e sim uma admiração, uma cor dominante em céus e mares, frutas e flores. azul. desde os cabelos até falsas lentes de contanto eu me reviro em azul, é algo estranho para um jovem de vinte e dois anos na faculdade, porém, meus caros, cada qual com sua anormalidade.

outro fato sobre esse menino chamado satoru é que sua ― minha ― única luz é a de festas, enlouquecido pelas luzes neon e batidas desconexas com tímpanos vibrando e corpos suados, nossa... eu realmente sou fissurado nesse bagulho. por isso, com todo dinheiro deixado para mim depois da morte “acidental” do miserável do meu pai, me esbanjo todas as semanas, além de lucrar com meu pequeno — quem sabe algum dia grande — comércio de drogas enraizado nas entranhas dessa cidadezinha chamada Stull Gale.

meu padrasto tenta controlar meus atos, tenta me regular e me colocar em um caminho o qual ele sabe que não é para mim, nem mesmo para ele, no fim das contas ele é tão mal quanto qualquer um nessa cidade — talvez até mais. por isso nos damos bem, cada um em seu espaço e território, respeitando-se mesmo que ele às vezes dê uma de bem intencionado, mas esses momentos são mais do que raros.

eu estou no segundo semestre de medicina na faculdade local. posso até ser obcecado e doido por qualquer tipo de arte, porém infelizmente desenhos ou esculturas não são meu potencial. por que medicina? ao contrário do que as pessoas pensam, o curso de medicina não ensina só maneiras de curar uma pessoa, pelo contrário, eles ensinam indiretamente como matá-las, então por isso medicina. e qual é a necessidade de matar pessoas? hora ou outra aparece um adversário, um pequeno empreendedor invadido meu mercado de atuação, querendo se sobrepôr a mim, vocês devem presumir o que vem depois. também há aqueles engraçadinhos que tentam me burlar, não faço caridades nem filantropia para o azar deles.

aliás, eu não cheguei a comentar o propósito disso tudo. eu criei esse blog privado para desestressar, eu sou uma pessoa um tanto… temperamental e para não descarregar as minhas raivas nas drogas. sim, eu uso muito, mas tenho que ter limites, praticamente tive uma overdose semana passada, por isso tentarei canalizar todas as minhas energias em palavras feias… ou talvez bonitas, e postarei aqui, para lembrar a mim mesmo que houve dias piores.

por abe

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